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13/05/2021

Hubs de saúde, a reinvenção do setor farmacêutico

Com a valorização da saúde estimulada pela pandemia, farmácias transformam seus espaços físicos para oferecer serviços voltados aos cuidados diários, alívio de doenças crônicas e bem-estar.

A pandemia de coronavírus trouxe mudanças e adaptações irreversíveis ao setor de saúde. A utilização de telemedicina, a importância de vacinação em massa, a valorização da ciência e o reconhecimento de profissionais da saúde são alguns exemplos. 

Em busca de apoio, orientação e informação, as farmácias se tornaram importantes pontos de auxílio à saúde. A liberação da Anvisa para realização de testes rápidos também despertou uma vocação a esses estabelecimentos. Ansiosos por uma resposta, muitos pacientes chegam às farmácias à procura por informações sobre os sintomas, buscando orientação sobre o que estão sentindo, e que decisão tomar.

Ou seja, mais do que comercializar medicamentos, cosméticos e outros itens típicos do canal, as farmácias descobriram potencial para se aproximar dos clientes e transformar suas lojas em espaços voltados a serviços de saúde.

REINVENÇÃO COMO REMÉDIO

Avaliada em quase U$ 100 bilhões, a CVS, rede de farmácias americana está transformando seu negócio em hubs de saúde - um novo formato implementado em pouco mais de 600 das suas 10 mil unidades, o CVS HeatlhHub.

Com amplo leque de atendimento, o novo projeto da companhia tem como meta ofertar produtos e serviços voltados para o cuidado da saúde diária e para o alívio de doenças crônicas.

Com 10 mil farmácias ativas, a estratégia da CVS é também uma forma de resistência à entrada de grandes players no segmento de health care. A Amazon, por exemplo, desembolsou U$ 753 milhões para comprar, em maio de 2019, a startup Pill Pack — especializada na comercialização de medicamentos prescritos, embalados de acordo com a receita médica.

Já a Apple investiu na compra de empresas, como a Tueo Health, focada no monitoramento de doenças de alta incidência, como a asma. Tais apostas para o mercado de bem-estar e saúde demandam que a utilização dos espaços físicos seja repensada.

Por isso, as lojas conceito da rede, chamadas de CVS HealthHubs, têm 20% de sua área total voltados para atividades de saúde, em vez de prateleiras com snacks, suplementos e afins. Parte do sucesso dessas unidades tem a ver com o atendimento personalizado.

Todas as HealthHubs contam com um farmacêutico que ocupa o posto de uma espécie de concierge, cujo propósito é guiar os clientes por diferentes possibilidades – dentro e fora da farmácia.

Esse especialista é preparado, por exemplo, para auxiliar com dúvidas às obrigações e deveres de planos de saúde e sugerir ações que possam ser úteis para o consumidor em questão.

Além desse profissional, os hubs também contam com a MinuteClinic, presente em 1,1 mil unidades da rede em todo o país. Espécie de pronto-socorro, a MinuteClinic ganha mais funções dentro deste projeto, incluindo exames de sangue.

Embora não sejam lideradas por médicos, essas clínicas disponibilizam o cuidado de profissionais aptos a prescrever medicações e tratar enfermidades básicas e doenças, como diabetes e apneia do sono.

O MODELO BRASILEIRO NA PRÁTICA

A RD - Raia Drogasil S.A. anunciou a aspiração de se tornar, até 2030, a empresa que mais promove hábitos saudáveis para os brasileiros.

Para tanto, concebeu uma estratégia baseada em três pilares: a Nova Farmácia, que combina um hub de saúde com experiência digital e multicanal, um marketplace de produtos de saúde, recém lançado, e uma plataforma de saúde, focada na promoção de hábitos saudáveis e prevenção de doenças, que será lançada ainda em 2021.

A nova estratégia se mostrou relevante já em 2020, ano em que a RD buscou se tornar uma espécie de porto-seguro para a saúde. Ter dado vida aos Hubs de Saúde, que oferecem serviços como vacinação contra a gripe e testagem para a covid-19, nas lojas é um exemplo prático dessa nova abordagem. Em pouco menos de um ano, foram efetuados 1,4 milhão de testes nas suas unidades.

No que diz respeito ao e-commerce, as vendas digitais da Raia Drogasil mais que quadruplicaram em 2020. A companhia encerrou o ano com receita de R$ 1,2 bilhão no comércio on-line, o que corresponde a 5,9% da receita bruta total do varejo.

A empresa chegou à marca de 7,9 milhões de downloads acumulados dos seus aplicativos e de 24 milhões de acessos mensais aos seus canais digitais.

Seguindo a tendência de aquisições, a RD também anunciou seu investimento na Healthbit, startup focada na redução do custo de saúde das empresas, por meio da promoção da saúde dos seus funcionários e da prevenção de doenças.

A aquisição faz parte da RD Ventures, plataforma de investimento em startups da RD, que também realizou aportes na Manipulaê, marketplace de farmácias de manipulação, e na Techfit, empresa focada no desenvolvimento de aplicativos, jornadas e conteúdos para a promoção de hábitos saudáveis.

“Apesar de desafiador, 2020 nos deu a oportunidade de materializar o nosso propósito de cuidar de perto da saúde e bem-estar das pessoas, em todos os momentos da vida, e de avançar na nossa estratégia da Nova Farmácia", diz Marcílio Pousada, presidente da Raia Drogasil.

Além disso, Pousada cita que a rede avançou na digitalização da relação com o cliente dentro e fora da loja. Dentro das unidades isso se traduz pelas ofertas exclusivas digitais e com o lançamento do Stix, programa de pontos em parceria com o GPA, ambos baseados integralmente em aplicativos.

Fora da loja, outros serviços foram aperfeiçoados, como o compre e retire e as entregas de vizinhança, ambos gratuitos e disponíveis em 100% das lojas, e via entregas motorizadas em 1 a 4 horas. 

 

FOTO: Freepik

FONTE: Por Mariana Missiaggia 11 de Maio de 2021 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br